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Resultados de crescimento
em sintomas de crise alheia


No final do último mês e começo de novembro, pudemos acompanhar alguns eventos no País, principalmente em São Paulo, que têm fortes ligações com os mercados consumidor e de serviços, entre eles, o Grande Prêmio de Fórmula 1 e o Salão do Automóvel. Ambos atraíram pessoas de vários Estados e até de outros países, o que favoreceu o mercado de turismo e o do setor automobilístico, o que é um sinal positivo contrário à crise.

Para se ter uma idéia, o Salão do Automóvel trabalhava com a expectativa de receber cerca de 620 mil pessoas visitando a feira, e o número foi atingido. O governo liberou uma linha de crédito de R$ 4 bilhões para que as vendas de automóveis continuassem aquecidas. Em setembro, o mercado nacional de automóveis de passeio e veículos comerciais leves vendeu mais do que em agosto, porém, em outubro, houve uma queda de aproximadamente 6%, em relação ao mês anterior. Todavia, o setor vendeu no primeiro semestre deste ano 30% a mais do que em 2007.

Recentemente, também pudemos acompanhar nos noticiários a divulgação do lucro de um dos maiores bancos privados nacional, o Bradesco. Foram mais de R$ 6 bilhões, cerca de 3,4% maior que em 2007. Também vimos a fusão de duas grandes instituições financeiras, Unibanco e Itaú, que agora formam o maior banco privado do Brasil e da América Latina. Isso demonstra que, enquanto bancos quebram lá fora, aqui as instituições mostram resultados muito positivos. Mais de90% dos ativos dos bancos brasileiros são representados por investimentos e devedores e de operações de crédito negociadas aqui no próprio País.

Além dos bancos, algumas instituições, como Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio), prepararam estudos para medir os impactos da crise internacional aqui dentro do País. O resultado mostrou crescimento nos níveis de empregabilidade, nos de renda e também nas vendas.

Até então, a população só ouve falar em crise, mas ninguém confirma a estar vivendo. Segundo alguns analistas, a população só dá conta de que existe uma crise instalada quando alguns colegas começam a perder o emprego ou quando aumenta o preço do pão na padaria ou ainda quando aumenta o preço da tarifa do ônibus. Nada disso está acontecendo.

As vendas no comércio varejista de São Paulo, o principal mercado consumidor do País, tiveram um crescimento médio de 5,6%, de janeiro a setembro, em comparação com os números de 2007. A pesquisa feita pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) apontou que no mês de outubro houve uma queda de 4,5% na consulta de cheques para compras à vista. Mas isso ainda não é um significado de que a crise chegou ao País. De janeiro a setembro, o crescimento médio acumulado havia sido de 5,6% em comparação a 2007. No crediário, o volume de consultas aumentou apenas 1,4% neste mês, até a primeira quinzena, em relação aos mesmos dias do ano passado, segundo a entidade, depois de uma média de crescimento de 8,3% de janeiro a setembro em relação a 2007.

As Bolsas de Valores de todo o mundo estão vivendo dias com quedas sucessivas, causando pânico aos investidores. Porém, não podemos lastrear nossa economia ao mercado de capitais. No geral, o fortalecimento econômico do Brasil vem se mantendo, apesar de observarmos que muitos setores retraíram a produção, entretanto,por pura precaução.

É claro, não vamos nos enganar. Analistas dizem que, por causa dos problemas econômicos dos Estados Unidos, será inevitável que as importações e exportações sejam afetadas nos próximos meses. Isso porque todo e qualquer negócio com economias internacionais não sairão ilesos dos reflexos da crise internacional. Como em toda economia globalizada, não descartamos os impactos, porém, podemos afirmar que virão em menor escala se comparados a períodos anteriores.

Paulo Ricardo Alaniz

Sócio diretor da BDO
Trevisan de Porto Alegre – RS
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