No Rio, o costume é dizer subúrbio. Em São Paulo, fala-se periferia. Tanto faz, mas o que se tem notado é que nas ruas de comércio de Madureira ou de
São Miguel Paulista existem alguns tipos de loja de moda que fogem do padrão popular ou dos grandes magazines. “São roupas que estão na moda, por um preço que dá para pagar”, como diz uma consumidora, recentemente entrevistada pelo Jornal Valor Econômico.
Estão aparecendo marcas de moda feminina voltadas para a classe C e D, cujas vendas crescem na faixa de 30% ao ano, desde 2002. O mercado de moda popular
reflete as mudanças no consumo de moda da classe C, hoje mais populosa, com mais acesso a crédito e dinheiro disponível para gastar. Se antes era apenas o preço baixo que mandava, agora o estilo e a qualidade dos produtos e do serviço na hora de vender passam a contar para essa faixa da população. A consumidora da classe C está mais exigente, mais informada e com melhor nível de escolaridade. A sensibilidade dessa consumidora para a moda aumentou, mas o preço mais
baixo é sempre levado em conta.
Para concorrer com a movimentação das redes menores de vestuário, os grandes magazines têm investido mais na qualidade de olho nesse grupo de consumidoras, cuja tendência é crescer nos próximos anos. Algumas redes perceberam o que está acontecendo e estão adaptando depar tamentos de pesquisa e criação em formar coleções ligadas às tendências de moda exclusivas para essas classes. Nas lojas, agregam mais serviços e fazem com que a experiência da compra seja prazerosa com mais atendimento.
O preço, embora importante na decisão da compra dessa faixa da população, tem espaço para ficar um pouco maior, dependendo de outros fatores como matéria-prima e acabamento. Aposta-se que o ciclo virtuoso de crescimento da classe C dure até 2010. O varejo já percebeu isso e vê que a classe C não quer
mais o que é só popular.
Regina Blessa
Cconsultora e palestrante
www.blessa.com.br |