revista profashional

TECENDO TRAMAS - por Dio Jaguarível, correspondente na Alemanha
 
A hora da
volta partida
“O que vale na vida não é o ponto de partida e
sim a caminhada.” (Cora Coralina)
 


Como dizia o poeta T.S. Elliot, “É preciso percorrer muitas estradas, voltar para casa e olhar tudo como se fosse pela primeira vez”. É assim que estou me sentindo neste momento, em que, depois de 14 anos vivendo na Alemanha, resolvi pegar o caminho de casa. Todos me perguntam o porquê da minha partida e sempre respondo, que na verdade não estou partindo e sim voltando de uma longa viagem. Quando escrevi, brincando para a minha amiga Sandra Teschner, pedindo “para preparar aquele feijão preto, pois estou voltando”, ela me respondeu que não tinha percebido a minha ida. E ela tem toda razão, uma parte de mim ficou na minha terrinha. “O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...” (Mario Quintana).

Durante anos, levei uma vida entre dois amores, dividida, numa eterna dúvida. “Porque metade de mim é partida, mas a outra metade é saudade...” (Oswaldo Montenegro). Só que chegou a hora de tomar uma decisão, e optar entre o marido – o Brasil, e o amante – a Alemanha. Mas, como todo mundo já está mais que cansado de saber, sou bairrista e muito brasileira, e é claro que no fi nal ganhou o amor mais maduro.


Nós, brasileiros, não temos a vergonha de amar e nos declarar. É amor vindo de todos os lados, da família, dos amigos. E eles são o principal motivo da minha volta. Quero ainda rir e chorar de tanto gargalhar, junto com eles.

“Cada coisa tem sua hora e cada hora o seu cuidado.” (Raquel de Queiroz). E acredito que essa hora chegou! “Quando você quer alguma coisa, todo o universo conspira para que você realize o seu desejo.” (Paulo Coelho). Isso é uma realidade, é como um imã. As coisas foram acontecendo e, de repente, não mais que de repente, me vi de malas arrumadas, container para a mudança organizado, e de passagem marcada. “O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fi m terás o que colher.” (Cora Coralina).

O tempo vivido em terra germânicas foi também muito bom. Fui muito bem acolhida, amada. É um país que ensina a começar de novo. Tiro o meu chapéu (fashion, é claro!) para esse povo que está sempre preparado para ajudar, construir e reconstruir. Declaro abertamente o meu amor aos alemães que, ao contrário de nósbrasileiros, amam calados.

“A hora do encontro é também despedida a plataforma desta estação, é a vida.”
(Milton Nascimento e Fernando Brandt).
Até breve.













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