revista profashional

SCRIPT - por Sandra Teschner
 
“Tudo é vida a nos provocar reações.”
(Padre Fábio de Melo)
 

 

Eu não sou uma pessoa religiosa. Minha mãe, a professora Lúcia, é ministra da igreja católica e há pouco construiu uma igrejinha em Águas de Olivença, no interior da Bahia, com a ajuda de amigos, de fi éis e de seu incansável trabalho na arrecadação de fundos, entre outros, pela venda de quitutes saborosos de forma sazonal, num lugar simpático que tem o nome de Cantinho Doce.

Estudei em colégio de freiras franciscanas, a Ação Fraternal de Itabuna, antes de tomar os vôos que me levaram e trouxeram até o aqui de hoje. Tradição religiosa nunca me faltou. Na moda, ainda muito verde nos conceitos do que realmente me interessaria nessa forma plástica de comunicação, debutei na Faculdade Santa Marcelina. Sim, foi ali no auditório da FASM, acalentada e protegida pelos hábitos das religiosas que me fascinaram de imediato pela aposta cultural que vivenciam. Foi então, paradoxalmente a todas as cores do mundo fashion, entre as irmãs marcelinas vestidas de branco, que me descobri amante de um mundo ao qual daria o nome de Profashional.

Irmã Fátima, com seu carisma extraordinário, sempre brincou com as palavras: “Quem trabalha com Moda, não mostra tendência, então, estou permanentemente in”, enquanto me apoiava junto a um time de religiosas e “civis” que iriam estar na base do meu futuro mais próximo. Acho que as últimas missas de que participei foram exatamente na principal faculdade de Moda do Brasil.

Outras crenças e credos permearam meu caminho, tanto quanto os livros, os filósofos, os cientistas. Ecletismo é algo que me sinonimiza. Mais ainda, a busca por uma singularidade muito minha dentro da pluralidade da existência. Sou uma boa parceira de discussões inflamadas sobre os mais diversos temas, jamais, porém, quando o tema é religião. Acredito em Deus. Por isso mesmo me recuso a discutir em patamares humanos, demasiadamente, humanos (Nietzsche), sua imensão. Citei Nietzsche e agora me vem à mente que o fi lósofo leva o título de Anticristo, ele que me inspira, por exemplo, a buscar essa força e crença. Incrível o que interpretações e pretensões conseguem fazer. Se você quiser sentir um pouco do que falo, leitor profashional, aconselho a leitura de “Dias de Nietzsche em Tourin”; neste livro, sinto a plena expressão da felicidade transmutada em palavras que não necessariamente a descrevem. Em mim, há um acordo de convivência entre a felicidade plena e o signifi cado de Deus.

Ciça Luz, cunhada, amiga, pernambucana de Petrolina – ou seja, tem a Bahia num lado do peito (e do São Francisco) e Pernambuco, do outro –, visitou-me há pouco em São Paulo. Entre trocas de novidades, principalmente do universo Profashional, ela veio com a pergunta: “San, você conhece o padre Fábio de Melo?”. E eu não sabia bem o que dizer. Primeiro, porque estava um tanto surpresa pelo grau de empolgação que embalava o questionamento e depois porque a pergunta que não queria calar era: O que um padre poderia ter a ver comigo dentro daquele contexto todo? Instigada, decidimos entrar no blog dele, conversamos sobre o livro de sua autoria “Quem me roubou de mim” e as explicações, que eu talvez tenha pensado ser necessárias, foram respondidas como conseqüência do meu próprio reconhecimento daquele momento que eu estava vivendo.

Daquele momento à finalização desta edição, Ciça participou de todas as etapas se comprazendo em ver sua idéia tomar forma e conquistar a revista de bolsa e a equipe que a fazem viva. Tudo com direito a uma grande surpresa (coincidência, sincronicidade, mensagem?).

O ano de 2008 vai se despedindo de nós e um novo já dá as boas-vindas; ir e vir no compasso do calendário cumprindo o ciclo da vida. Sou correntista convicta das ações do tempo. Sinto saudade, lamento as perdas, a falta dos que foram levados com ele ou as mutilações que o nosso corpo – passível de suas ações – vão nos revelando. Porém, as transformações me hipnotizam. É incrível como as crianças ao meu redor tornaramse jovens iniciando a vida profi ssional, construindo seus sonhos e amores. Guardo no lugar mais especial do meu peito os que eram bebês e suas linhas da vida: a descoberta do caminhar, suas tomadas de decisões e os primeiros indícios dos caminhos que um dia trilharão. E nós vamos vivendo essas trocas com eles. Amo o que faz parte do dom da vida e isso é, sem dúvida, uma forma muito minha de viver a fé. Fé em Deus, fé na estrada, fé na vida.

Que seus dias sejam vividos com respeito ao tempo
e que as palavras do bem ecoem em seu coração!

Alegria e Generosidade é o que desejo para sua vida.
Um grande abraço,

Sandra Teschner - Publisher
sandra@revistaprofashional.com.br
orkut: sandra teschner

 













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