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Matéria de capa

Matéria de capa - Revista Profashional

UM PLUS NA MODA

ELAS SÃO LINDAS, ESTILOSAS E INSPIRAM MULHERES DO PAÍS INTEIRO. SIM, ELAS SÃO GORDAS, VESTEM MANEQUINS ACIMA DE 48 E SABE O QUE ISTO SIGNIFICA? QUE O TAMANHO DA BELEZA E DO PODER DE CADA UMA É PROPORCIONAL AO SEU “PLUS SIZE”. COM VOCÊS, MAYARA RUSSI, GABRIELA CAROLI, LILIAN MARCELINO E LAIS ROBERTA Por: Drica Rosa

MIND INFLUENCERS - Revista Profashional

A palavra que entrou no nosso dia a dia para ficar é empoderamento, e o universo feminino se apoderou do termo para mostrar sua força e buscar respeito em todos os quesitos. E quando o assunto é numeração GG, percebemos bons avanços na moda brasileira.
Cada vez mais mulheres gordas estão estampando campanhas, editoriais, eventos e passarelas. E o principal, inspirando não só quem se encaixa no segmento plus size, mas também magras, altas, baixas, novas e velhas. Há quase 15 anos, a Profashional defende a diversidade, o respeito e a beleza em todos os corpos, mas nossa luta é diária, já que o termo gordo ainda é tabu para muitos.
Para nós, a palavra é somente uma característica, assim como cor do cabelo, tom de pele, estilo, etc. E foi pensando nisso que armamos um encontro em São Paulo com
essas quatro mulheres para um editorial de moda que transmitisse força, beleza e uma chuva de atitudes.
Elas vão muito além de “modelos cheinhas”, elas são referência de estilo, atitude e poder feminino e atraem seguidoras dos quatro cantos. Como diz a palavra, elas são verdadeiras influenciadoras da vida e tiveram uma mudança na forma de viver, quando se descobriram como lindas mulheres e entenderam e aceitaram que elas podem usar tudo o que querem, o importante é se sentir bem.
Durante a sessão de fotos, as quatro falaram bastante sobre a mudança no mercado, os haters, as inseguranças, aceitações, demandas de mercado e a dificuldade de ainda encontrarem peças em tamanho grande. O papo foi instigante, as fotos incríveis e, ao fim do dia, restaram a sensação de dever cumprido e a ansiedade de ver a revista pronta.

O SEGMENTO NO BRASIL

MIND INFLUENCERS - Revista Profashional

É fato que o mercado de moda plus size está mais aquecido do que nunca. Isso porque a demanda vinda de clientes exigentes faz com que as empresas invistam em qualidade, sofisticação e desenvolvimento de peças criativas. Segundo dados da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), o mercado plus size cresce 6% anualmente e movimenta cerca de R$ 5 bilhões. Esse percentual corresponde a cerca de 300 lojas físicas e aproximadamente 60 virtuais. A expectativa, segundo a associação, é de um crescimento de pelo menos 10% ao ano.

MAYARA RUSSI

A VERGONHA DO CORPO SE TRANSFORMOU EM AUTOESTIMA E A MODELO APRENDEU QUE A BELEZA ESTÁ EM TUDO E EM TODOS E FAZ DISTO UM EXERCÍCIO DIÁRIO PARA ENSINAR DENTRO DE CASA AOS FILHOS, E FORA, AOS MILHARES DE SEGUIDORES

Ela é conhecida como a Ana Paula Arósio do universo Plus Size e conseguir um horário na sua agenda é tarefa quase impossível. Em 2004, foi abordada por uma olheira de agência e achou que era brincadeira. Um mês depois, foi abordada novamente e resolveu arriscar, mesmo sabendo que naquela época o mercado plus size era precário e muito preconceituoso. Valeu a coragem de se jogar nessa profissão, já que hoje, treze
anos depois, é considerada uma das modelos plus size mais influentes do Brasil.
Ela já ouviu muita coisa negativa sobre seu peso, mas hoje sabe que as coisas estão bem diferentes: “Recebo muitas mensagens, até de fora do Brasil, e sei que estamos mudando o jeito de olhar. Isso precisa acontecer dentro das nossas casas. Crio meus filhos para ver e aceitar tudo. A minha filha mais nova ama Pabllo Vittar e
apoio, pois não quero preconceito” fala Mayara.
Sobre se aceitar, ela conta que desde pequena foi gorda, mas ativa, mas foi muito difícil passar uma infância ouvindo coisas cruéis quando era criança.
Hoje, linda, poderosa e confiante, ela abusa de um estilo básico, mas investe em recortes e na terceira peça como curinga para compor looks. E se a pergunta é “o que nunca se imaginou usando”, a resposta é rápida: cropped. “Adoro usar um cropped e não estou nem aí se deixo minhas banhas para fora. Ouço que sou corajosa,
mas acho essa frase um absurdo, pois não preciso ter coragem para usar o que quero”, diz a modelo.
Ainda na moda, Mayara reclama que ainda é difícil achar uma boa modelagem numa numeração grande. Pijamas e roupas para gestantes são pontos que ela destaca. Ela reconhece que os estilistas estão começando a enxergar esse público, mas ainda fazem
muito pouco no tamanho XXL.
Quando o assunto são os haters, ela diz que não dá para se acostumar. Sofre até hoje com alguns comentários, e não pensa duas vezes: bloqueia e exclui. “A internet deixou alguns muito corajosos, mas ainda tenho muito mais elogios e isto me faz querer continuar” explica. Para finalizar nosso papo, a modelo falou um pouco de planos, inspirações e lema para a vida!

BATE-BOLA
PARA 2018: CARREIRA INTERNACIONAL. MULHERES QUE INSPIRAM: FLUVIA LACERDA, GISELE BUNDCHEN, ANA HICKMANN E TESS HOLLIDAY. SER OUSADA É... TER AMOR PRÓPRIO E NÃO LIGAR PARA A OPINIÃO DOS OUTROS. SER PROFASHIONAL... É FAZER O QUE AMA, DEDICAR MUITO AMOR E TRANSMITIR ISTO AO PRÓXIMO.

LAIS ROBERTA

A IMAGEM DE REBELDIA MODERNA SE CONTRAPÕE AO JEITO DOCE E TRANSPARENTE COM QUE A MODELO FALA DAS DIFICULDADES E CONQUISTAS DA VIDA. PERSONALIDADE TRANSBORDA EM CADA PALAVRA SUA E, TALVEZ, POR ISTO, ELA INSPIRE TANTAS MULHERES DIARIAMENTE

Em nossa seção de fotos, Lais foi recebida pelas amigas e companheiras de ensaio de uma maneira carinhosa, já que poucos dias antes perdeu a mãe. A perda já seria suficiente para um sentimento de tristeza, mas ouvir Lais falando de sua infância, valores e criações, fez entendermos o tamanho da dor e a da importância que aquela mulher teve.
Lais relembrou as muitas vezes que levou “nãos” e portas na cara por conta do seu cabelo, do seu jeito alternativo e da sua falta de elegância (alegada por alguns). Hoje, ela se vê trabalhando, sendo referência de beleza e estilo e conta que, por muitas vezes, falava para sua mãe “quem me viu e quem me vê, hein?”, se diverte ela.
A carreira de modelo começou meio por acaso: “Eu tinha uma namorada que era estilista e estava para lançar uma marca de tamanhos maiores e me convidou para fazer as fotos do look book. Cheguei para fotografar e me senti muito à vontade. Ali, era eu mesma, não representei nada, fui 100% eu. Divulguei para alguns profissionais e convites começaram a surgir. De lá para cá, não parei mais”, conta.
A modelo lembra que sua infância e adolescência foram muito difíceis por conta do preconceito e da falta de referência. Ela lembra que via somente o grupo Fat Family, mas achava muito caricato e distante dela. Não havia modelos, atrizes e bonecas que a fizessem se identificar.
Porém, no Ensino Médio, as coisas começaram a mudar quando mudou de cidade e conheceu uma amiga na escola que mostrou algumas referências como Aretha Franklin, e como ela podia se aceitar. “Foi um processo dolorido, mas valeu a pena para eu me
tornar quem sou hoje” conta Lais. Falando de moda, ela diz que nunca se imaginou usando regata e lembra que a primeira vez foi constrangedor, já que sempre se
escondia atrás de camisetas e moletons. Outras peças que não tinha a menor intenção de usar e hoje ama são o cropped e a saia justa.
Ela é cheia de atitude, está pronta para responder qualquer comentário que a incomode, mas reconhece que ainda existe muita gente que fala sobre elas com a intenção de machucar: “Às vezes, uma amiga posta um trabalho lindo e, ao mesmo tempo em que fico feliz com a conquista, leio os comentários e fico triste por elas. Isso também acontece muito comigo. Outro dia, um fotógrafo me sugeriu ‘explorar mais minhas laterais’. Achei ofensivo e fui tirar satisfação. Outra coisa que me chateia é a frase ‘você tem um rosto tão bonito’. Isso é péssimo. Fico pensando que já passei por muita coisa e sei que, para as crianças de hoje, tudo será mais fácil, pois as referências positivas aumentam a cada dia”, diz. De estilo alternativo, apaixonada por coturno e tênis, Lais conta que ama garimpar peças em brechós: “Tenho a impressão de que a modelagem dos anos 1960 e 1970 abraçava mais corpos maiores. Tínhamos peças mais largas. Hoje, a moda estreitou muito e a falta de uma boa modelagem nos impede de achar peças bacanas”, desabafa a modelo.

BATE-BOLA
MULHERES QUE INSPIRAM: PEGO MINHAS REFERÊNCIAS DE GENTE PRÓXIMA A MIM. MINHA MÃE É A MINHA MAIOR INSPIRAÇÃO. NÃO FOI FÁCIL PARA ELA TER UMA FILHA NEGRA, GORDA E BISSEXUAL.
DIFICULDADE NA MODA: ACHAR UMA PANTACOURT QUE VISTA BEM. EU ACHO QUE TODAS PARECEM BERMUDÕES OU SHORTS GRANDES. SER PROFASHIONAL É: TER CIÊNCIA DA SUA IDENTIDADE ESTÉTICA, RESPEITAR A IDENTIDADE DAS PESSOAS, NÃO JULGAR NINGUÉM E EVOLUIR A CADA DIA. DESCONSTRUIR PADRÕES.

LILIAN MARCELINO

SUA CARREIRA DE MODELO É RECENTE, MAS SUA POSTURA DURANTE AS FOTOS E O CARÃO EM CADA CLIQUE PROVAM QUE ELA NASCEU PARA ISSO E SABE MUITO BEM SER QUEM ELA É, UMA MULHER DETERMINADA E OUSADA

Foi essa ousadia e a insistência de sua mãe que fizeram Lilian ingressar neste mercado. Logo de cara, a modelo ficou em primeiro lugar no concurso Miss Ipiranga. Em seguida, foi eleita a Princesa de Osasco, se inscreveu num concurso que elegeria quatro garotas verão para uma marca de óculos. Mesmo sendo a única plus size, foi a segunda mais votada. Logo depois, foi escolhida a Deusa Plus do Rio de Janeiro e a mais bela gordinha do Brasil.
Infelizmente coisas como “você é linda de rosto” ou “se emagrecer ficará mais bonita” são coisas que acaba ouvindo, mas as mensagens positivas acabam compensando. Ela sabe que ser gorda, negra e com cabelo crespo assumido não é fácil, mas sempre recebe um retorno de pessoas elogiando e confessando que ela as inspira: “Inspirar vidas é uma carga muito grande pra mim, eu não enfrento preconceito somente por ser
gorda; ser negra e ter o cabelo crespo também é uma luta. Eu recebo mensagens de ‘não desista’ ou pessoas dizendo que têm orgulho de mim, que se veem em mim, que eu as encorajo a se amar, isto pra mim é gratificante e é o maior motivo do movimento PLUS existir. Não é apologia à obesidade, é incentivo de amor próprio”, explica.
Quando o assunto é moda, ela conta que sente dificuldade em encontrar calça jeans de que goste e vestido básicos, pois sente que muitas lojas associam tamanhos grandes às estampas de senhoras. Ela também diz que passou muito tempo acreditando em tudo o que lia, como não mostrar a barriga é o melhor, que listras deixam a mulher gorda ainda maior, etc.: “Eu lia isso nos blogs, sites e revistas e achava que era verdade. Hoje, uso tudo o que quero. Nunca me imaginei usando cropped e vestidos listrados, e, atualmente, adoro!”, conta.

BATE-BOLA
MULHER QUE TE INSPIRA: COMO MULHER, MINHA MÃE, QUE FOI QUEM ME INCENTIVOU COM TUDO ISSO. E COMO MODELO PLUS, A NADIA ABOULHOSN. PLANOS PARA 2018: TERMINAR A FACULDADE EM JULHO, ME FORMAR, COMEÇAR A DANÇAR E ME DEDICAR AINDA MAIS À CARREIRA DE MODELO. PARA VOCÊ, A MODA SIGNIFICA... LIBERDADE DE EXPRESSÃO. CHEGAMOS A UM PATAMAR
EM QUE A ROUPA ESCOLHE A PESSOA; GOSTO DESSE MUNDO PLUS, POIS JÁ TEMOS A OPORTUNIDADE DE ESCOLHER NOSSAS ROUPAS E PODEMOS SER TÃO ESTILOSAS QUANTO AS MAGRAS.
SER PROFASHIONAL É: DEFENDER MEUS IDEAIS, DEFENDER MEU EU, MINHA HISTÓRIA E DEIXAR MINHA AUTOESTIMA INTOCÁVEL, DE FORMA
QUE EU NUNCA MAIS ME SINTA DIMINUÍDA PELO MEU MANEQUIM.

LILIAN MARCELINO

ELA FOI DESCOBERTA HÁ DOIS ANOS E FOI A PRIMEIRA MODELO PLUS SIZE A USAR LINGERIE NUMA PROPAGANDA DE CERVEJA NO BRASIL. ELA É LINDA, GOSTOSA E NÃO SE IMAGINA FAZENDO OUTRA COISA. SORTE A NOSSA!

Foi comendo um acarajé no Centro de São Paulo que Gabriela foi descoberta. A estilista de uma famosa marca plus size a viu e convidou para uma prova de roupa e um shooting que aconteceria poucos dias dali. Foi sem entender muito o que estava acontecendo, mas diz que, desde esse dia, sua vida mudou: “Foi a primeira vez em que fiz algo que não tive dúvidas.
Ali, entendi que era aquilo que eu queria como profissão”, conta. E ela estava certa; depois disso, já fez trabalhos para mais de 40 marcas, desfilou quatro vezes na Casa de Criadores, estampou publicidades de diversos segmentos, saiu em revistas e participou dos programas Pequenas Empresas, Grandes Negócios e Profissão Repórter.
A modelo costuma dizer que entrou no segmento por sorte, mas permanece nele por esforço: “Desde que entrei nesse mundo, me dediquei muito para melhorar a cada dia. Estudei e treinei para aumentar meu repertório de poses, sempre tive energia, fui pontual e isto conta muito. Levo tudo muito a sério”, conta Gabi. Como todas as mulheres com o shape maior, ela conta que o processo de aceitação foi por etapas e foi muito importante, pois se ela não tivesse passado por isso, hoje não conseguiria transmitir a verdade em tudo o que fala e posta e não conseguiria influenciar tantas mulheres.
“Eu me redescobri entre 25 e 26 anos. Precisava me vestir melhor, mas só tinha roupas simples e largas. Foi quando comecei a pesquisar blogueiras nacionais e internacionais e percebi que eu poderia ser quem eu queria. Amava o estilo retrô e, ao me analisar, vi que eu poderia usá-lo. E foi neste momento que comecei a me questionar: Eu preciso ser magra para quem? Por que eu não posso ser feliz sendo gorda? Isso foi transformador. Precisamos nos cobrar menos e se meter menos de forma negativa na vida dos outros”, analisa. Ler e ouvir comentários maldosos e preconceituosos ainda faz
parte do dia a dia da modelo, mas ela prefere encarar isso de uma forma leve: “Com o tempo, aprendi que, quando as pessoas falam mal de mim, elas estão falando mais sobre elas do que sobre mim. Só fico chateada por perceber que algumas pessoas ainda perdem tempo falando das outras, apontando defeitos, etc., mas não me abalo”, fala a modelo. Essa segurança toda faz com que Gabriela seja inspiração para muitas mulheres de todo o País. São milhares de seguidoras que querem saber a cor da tinta que ela usa no cabelo, do esmalte e procuram nas lojas as mesmas peças que ela usa em suas produções. E vive com a certeza de que sua imagem faz muitas outras seguidoras se sentirem incluídas na sociedade!

BATE-BOLA
SONHO NESTE UNIVERSO PLUS SIZE: ENCONTRAR ROUPA DE ALTA-COSTURA
DO MEU TAMANHO UMA PEÇA QUE NÃO IMAGINAVA USAR: SUTIÃ TOMARA QUE CAIA. HOJE, ACHEI UM MODELO QUE NÃO LARGO MAIS.
SER PROFASHIONAL: SER PROFASHIONAL PRA MIM É TRABALHAR COM A MODA,
COM MUITA SERIEDADE, ALTA ENERGIA, OCUPANDO NOVOS ESPAÇOS E ABRINDO
PORTAS. TUDO ISSO COM LEVEZA E MUITO RESPEITO POR
OUTROS PROFISSIONAIS.

Beleza JAY MARQUES E PAMELLA ARCHANJO
Assist. de produção ALBERTO THOMAZ
Tratamento de imagem JAIME LEME

Agradecimentos RONNELLY, LILLYTH, GEANA, SANTA LOLLA, SHOESTOCK, JORGE ALEX, PLIÉ, DEL RIO, FLAMINGA, CIA DE MODA, SHANES, LU CARMELL E ELEGANCE ALL CURVES