"Esqueça essa história de querer entender tudo. Em vez disso, VIVA, em vez disso, DIVIRTA-SE! Não analise, CELEBRE!" (Osho)

|
|
Como Natal me lembra de histórias felizes, vou começar este meu pano pra manga contando para vocês sobre as palavras introdutórias de uma das autoras que escrevem sobre Osho, e já vou explicando que estou agregando minha interpretação do conto. E quem foi Osho? Respondo bem ao estilo dele, ou melhor, com as palavras escritas na lápide de seu túmulo: "Osho nunca nasceu, nunca morreu, apenas visitou este planeta Terra. Entre 1931-1990". Filósofo, considerado por muitos o guru da nova era, tem uma obra extensa com mais de 600 publicações. Controverso, sem dúvida, mas como diria Nelson Rodrigues: "Toda unanimidade é burra". Em alguns temas, obteve destaque absoluto como ao lidar com a liberdade de amar. Gostando do personagem ou não, muitas das suas palavras são incríveis e propõem uma reflexão importante na descentralização de ideias preconcebidas.Mas volto então para as palavras que interpretam o jeito do guru de se comunicar, tão bem colocadas por uma de suas intérpretes, confesso que não me lembro do nome da autora, mas a obra sobrepõe o autor.
.
|
Ela conta então que, morando em Londres, costumava passar por um jardim cheio de hortênsias. Certa feita, depois de dias com clima propício a esse tipo de flor, ela passou pelo mesmo lugar de sempre e ficou boquiaberta ao ver a beleza e poder que aquelas, até então simples flores, ganharam. Parou e simplesmente deixou-se comprazer junto à natureza daquele momento especial. Foi então que uma criança, que passeava com a mãe por esse mesmo lugar, gritou extasiada ao ver a mesma imagem citada pela autora: "Mãe"! E a mãe da criança então, em tom didático e silábico, responde: Filha, são HOR-TÊN-SIAS! E a autora se pergunta: Será que aquela criança, ao se apaixonar pela primeira vez, se lembrará daquele instante mágico e o traduzirá como: hor-tên-sias. Ao ver seu primeiro pôr do sol na praia com seus melhores amigos, se questionará estar vivendo hor-tên-sias! Enfim, as hortênsias foram a ideia materializada daquele momento de graça, daquela beleza plena, daquela imagem que mexeu com o coração infantil e aberto ainda a tantas paixões.
Quantas vezes buscamos a palavra certa para responder a perguntas que não nos foram feitas? A busca pelo entendimento estático e material de um instante indecifrável leva a colocarmos em uma caixa algo que vive num espaço ilimitado! Sobre Relacionamento, por exemplo, Osho cita que: "Relacionamento significa algo completo, acabado, fechado. O amor nunca é um relacionamento: amor é relacionar-se – é sempre um rio fluindo, interminável." E ainda acreditava que: "Amando, rindo, curtindo, você pode acidentalmente encontrar Deus". Parece utópico, mas não é e se classificarmos na ânsia de respostas os sentimentos mais profundos, estaremos mais uma vez reduzindo-os ao lugar comum, onde se encontram tantos outros estereótipos, paradigmas e nosso melhor sentimento fica ali, misturado com isso tudo.
Esse encontro com Deus "acidental' como cita o guru, muito antes de conhecer suas palavras, já estava sendo vivido e assimilado por mim e alguns muito queridos. No fim dos anos 90, visitamos IOS, em Santorini na Grécia e fomos apreciar o pôr do sol, considerado por muitos "o mais bonito do mundo". Estávamos Mika, eu e nossos respectivos filhos: Sebastian e Kai que então eram meninos. Chega o momento esperado e o Sol começa a se despedir naquele horizonte cheio de magnitude. Nesse instante, um grupo de apreciadores a nosso lado ligou o som que invadia todo o ambiente, era O Bolero de Ravel. A partida do Sol, a Grécia, inúmeras pessoas aplaudindo o show da natureza, meu marido, nossos filhos e... Deus! Porque naquele instante todos nós começamos a chorar e a sentir. Quando as crianças, meio sem entender o que tinha acontecido, nos perguntaram por que estávamos todos assim, não tive dúvida alguma em dizer, isso é o encontro com o amor maior, é Deus e tudo o mais que não está escrito em nenhum lugar, que não é institucionalizado por nenhuma igreja, porque é um momento que nunca poderemos reproduzir em palavras, nem organizarmos em dogmas, mas que jamais esqueceremos e nos guiará vida a fora. Nos dará força quando precisarmos dela, será nosso companheiro na ideia de vivermos em grupo, de celebrarmos em família e principalmente em saber que somos parte de algo maior, muito além do que nossas mentes barulhentas que buscam ávidas respostas são capazes de entender.
Essa experiência se repetiu em duas outras situações: Quando nós quatro mergulhamos no Blue Hole, um lindo "buraco azul" descoberto por Jacques Cousteau no Caribe, próximo a Belize. Em forma de imagem, temos cavernas submarinas com cardumes de peixes de cores muito além de pantones que arrebatam nossos corações e nossa alma que mergulha cada vez mais profunda naquele sonho real. E, quando visitamos a Lagoa Encantada, na chapada diamantina baiana. Uma linda caverna com lago subterrâneo de rara beleza que é contemplado (ao seu bel prazer) por um facho de luz em alguns meses do ano, nele vive um raro tipo de peixe, um bagre cego. Explicação demais!? Concordo! Mas o que fez aquele dia inesquecível não foram minhas palavras até então, mas foi ali naquela caverna escura, contemplando a imensidão do azul que se esconde nas águas, que fomos agraciados por aquele raio inesperado de luz (não era o mês em que há chance de vê-lo) e se até aquele instante os turistas presentes conversavam alto e se movimentavam entre fotos e banalidades, aquela luz propôs o silêncio total. "O silêncio também fala, fala e muito! O silêncio pode falar mesmo quando as palavras falham." (Osho). Kai, meu filho, ainda tão menino e em lágrimas, então falou: "Vivemos de novo aquele momento de encontro com Deus?".
Defendo que a gente busque alegrias, sem roubar a de outros. Que a gente viva do que acredita, respeitando o direito do outro em fazer o mesmo. Defendo que devemos celebrar e comemorar a vida, que a sabedoria consiste em mudança e aceitação, cada uma dentro do que é possível ser feito e para tanto a famosa luta por saber diferenciar essas duas situações. Defendo o meu direito de ser quem sou e viver todas as dores e as delícias daqueles que vivem fora dos quadrados. E agora trouxe a reflexão para mim, porque somos um na criação de "nossa pessoa" e só quem se conhece e sabe quem é está pronto a compartilhar. "O outro não o preenche. Preenchimento é interno." (Osho). O outro faz parte, mas nós não somos lacunas, somos pessoas, inteiras! E se você ainda não se encontrou: "Seja sincero em sua busca. Faça tudo por ela.
Ela é a sede de conhecer o original através do reflexo, que o torna digno do acidente final: A Iluminação."(Osho, é claro.)
E se ainda sobra espaço para um empurrão nessa direção, aposte nessa: "Opte por aquilo que faz o seu coração vibrar".
FELIZ VIDA NOVA!
.
|