É pra usar???
Independe de beleza, o conceito é o que deve ser entendido

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Quem nunca se perguntou para que servem aqueles looks estranhos dos desfiles de moda, e quem usaria aquilo tudo que atire a primeira pedra.
O que me chama mais a atenção nos “enduvidados” ao assistir a um desfile de moda, seja pessoalmente ou pela televisão, não é a cara de “não entendi nada”, mas sim a falta de coragem pra soltar as perguntas que passam pela cabeça da maioria das pessoas: “Mas afinal, é pra usar? Quem vai sair vestido assim na rua? O que será que esse estilista quis dizer?”. As dúvidas se multiplicam à medida que os looks vão surgindo na passarela, confundindo cada vez mais, até cair no desinteresse por falta de entendimento do que realmente tudo aquilo quer dizer, mas afinal, é pra usar?
Devemos olhar cada look com visão fragmentada, o todo pode confundir. O estilista não tem a intenção (muitas vezes) de vender aquela roupa para ser usada na rua, e sim o conceito principal que ele utilizará em sua coleção comercial, a que realmente vai para as lojas.
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A passarela é o momento lúdico da moda, onde cada criador pode soltar sua imaginação e preparar o consumidor sobre o que virá pela frente. Com a visão fragmentada como citei acima, devemos dividir o look em momentos, como, por exemplo, quais as cores ele trabalhará na coleção, quais tecidos podemos esperar, pesados, leves, misturados, se a silhueta será ampla ou mais ajustada ao corpo, a simetria ou ausência dela, se existem muitos recortes ou o design é mais limpo, como serão os comprimentos, estampas ou texturas dos tecidos.
O excesso é proposital, a ideia é chamar a atenção aos detalhes, é deixar explícito o tema trabalhado, para que as peças vendáveis sejam compreendidas como história e não simplesmente uma roupa na arara para consumo. Claro que não podemos generalizar e dizer que esse é o processo de todas as marcas de moda existentes, mesmo porque, não é a toa que o ditado “nada se cria, tudo se copia” cabe como uma luva para a moda.
Existem muitas marcas que nem passam perto das passarelas, pois o processo de “criação” é simplesmente “chupar”, ou seja, copiar coleções alheias e partir para a venda. Não existe um tema para a coleção, o foco principal é a linha de produção estar trabalhando a todo vapor e produzindo diariamente peças aleatórias baseadas nas tendências ditadas por bureaux de estilo e por marcas formadoras de opiniões, como é o caso das internacionais.
Agora é só assistir aos desfiles conceituais e fragmentá-los com uma nova visão da moda, e mudar de “enduvidado” para endividado, comprando todas as peças que chegarem às lojas, entendendo não só a beleza da roupa, mas sim sua história de criação.

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