revista profashional

COMPORTAMENTO - Edição 88+89 - por Kai Hrebabetzky

À beira do abismos
É, ao que me parece, fácil encontrar um amor, complexo, um correspondido, difícil, um eterno, mas impossível, um que não nos mude.

 

Como evitar o inevitável? Mais uma vez, começo com uma pergunta, e não é das mais fáceis de responder, não só pelo caráter antagônico, mas pelo realismo da pergunta e a presença dela no dia a dia. Como sair das rotas de colisão em que nossas vidas entram? Os mais apressados diriam se tratar de uma simples questão de nem entrar na tal rota, evite-a, não corra riscos, para que se apaixonar se a desilusão parece ser o fim provável, para que investir se o risco é muito alto, para que escalar as montanhas se lá em cima só há vento?
Mas, para esses, ficam minhas perguntas: Para que viver se não há nada a contar? Como saber o que é bom se nada deu errado? Como reconhecer o valor de um verdadeiro amor se nunca perdeste um? “Temer o amor é temer a vida e os que temem a vida já estão meio mortos”, escreveu Bertrand Russel.

Não, não me inclua no grupo dos “desvividos”, dos desavisados que acreditam ser melhor não sentir nada do que se sentir mal, que é melhor não estar feliz do que não sofrer, indiferença ao ódio. Dê-me o ódio, o sofrimento, o mal-estar, fique com o zero, com o vazio, com o vácuo, e eu me contentarei em tornar os sentimentos que me cabem em amor, felicidade e bem-estar.
É, ao que me parece, fácil encontrar um amor, complexo um correspondido, difícil um eterno, mas impossível um que não nos mude. Os meus anos ainda são repletos de inexperiência, de desconhecimentos, de falhas, de detalhes inacabados, mas a cada aventura, me torno mais completo, e aventura não se caracteriza em desbravar oceanos, adentrar selvas, ou conhecer culturas distantes, não só pelo menos, também é trilhar o caminho mais arriscado dos sentimentos, apostar em convicções e torcer por sonhos e “Tudo o que posso dizer sobre a vida é, oh! Deus, aproveite-a” –Bob Newhart.
Como evitar o inevitável? Que pergunta tola, obviamente é impossível, mas não se esqueça de que o impossível é relativo, afinal, impossível para quem? Para aquele que não tenta. Pois, se você tenta, é possível. Só não há forma de mudar o que já aconteceu, por isso, aproveite o presente em quanto o tem. Você realmente quer um dia ter de dizer que não tentou, porque achou que não havia como dar certo, que você desistiu da felicidade, da vida, do amor por uma mera impossibilidade?
“O amor é o sentimento dos seres imperfeitos, posto que a função do amor é levar o ser humano à perfeição. Como são sábios aqueles que se entregam às loucuras do amor!” – Joshua Cooke.

 

 

 

 

 













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