Mentiras sinceras não interessam
Apesar de poucos admitirem, não falar a verdade faz parte do dia a dia de todas as pessoas
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Quem diz que nunca mentiu está mentindo. Várias pesquisas já comprovaram que esconder a verdade faz parte da natureza humana. Motivos não faltam: seja para se safar de alguma situação, enganar o próximo, conquistar algo (ou alguém), não ter coragem de assumir um ato e por aí vai. Existe até a mentira “inocente”, aquela que se diz para não magoar o próximo. Como sempre afirma o impagável médico House, da série televisiva de mesmo nome, “everybody lies” (todo mundo mente). O que muda é só sobre o quê.
E as pessoas não mentem apenas para prejudicar os outros, algumas vezes, elas prejudicam a si próprias. Por exemplo, um estudo realizado com 1,5 mil voluntários pela empresa americana WebMD, especializada na área de saúde, mostrou que mentir é um hábito de quase metade das pessoas que procuram um médico. Segundo o trabalho, 45% dos entrevistados admitiram que não falam toda a verdade na consulta. Outros 30% mentiam sobre a adesão a dietas e exercícios. Ou seja, como cantava o grupo Legião Urbana, “mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira”. Afinal, o que se ganha mentindo para o médico?
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Mas o mentiroso também sofre por outros motivos. Contar lorotas demora mais do que dizer a verdade. Segundo uma pesquisa publicada no jornal “The Times”, de Londres, as pessoas chegam a demorar até 30% a mais para mentir. O novo método usado na pesquisa foi desenvolvido por Aiden Gregg, um psicólogo da Universidade de Southampton. A análise foi feita por uma série de perguntas que foram respondidas em um computador. Um programa emitia um algoritmo que indicava como a pessoa submetida ao teste se comportava. Em 85% dos casos, o entrevistado respondeu mais lentamente quando mentiu.
Algumas grandes mentiras da história...
Que podem ser verdades ou não (afinal, foi difícil encontrar uma fonte 100% confiável):
- Napoleão não era tão baixinho. De fato, media 1,68 cm, inclusive superava por 4 cm o duque de Wellington, seu arqui-inimigo inglês.
- Os vikings não usavam capacetes com chifres. Foi uma invenção do pintor sueco Gustav Malstrom nas ilustrações que realizou em 1820 para o poema épico “Frithiof`s Saga”.
- A Guerra dos Cem Anos, na realidade, durou 116, de 1337 a 1453, ano em que os reis de Inglaterra e França (os países em conflito) puseram fim às hostilidades.
- Walt Disney não sabia desenhar e nunca desenhou nenhum de seus famosos personagens.
- Sherlock Holmes nunca disse: “Elementar meu caro Watson”. Nas novelas de Conan Doyle, o famoso detetive pronuncia apenas a palavra “elementar.” A frase, como ficou conhecida, foi escrita para o filme protagonizado por Basil Rathbone, em 1939.
- A guilhotina não é um invento francês, e seu criador não foi o doutor Ignace Guillotin, que somente sugeriu a guilhotina como método oficial de execução. Os romanos já conheciam e usavam o método, e alguns historiadores acham que foi inventada pelo cônsul Titus Manlius que, paradoxalmente, acabou sendo executado por ela.
- Van Gogh não cortou a orelha; só um pedacinho do lóbulo esquerdo.
- Joana d’Arc não era francesa. A verdade é que heroína nasceu em Bar, uma localidade do ducado de Lorena que naquele tempo era então independente.
- Robin Hood não era um bandido generoso, nem roubava os ricos para dar aos pobres. Na verdade, foi um homem chamado Robert Hood que se revoltou contra o rei Ricardo II para não pagar impostos.
- Adão e Eva nunca comeram uma maçã. No Gênesis, não é mencionado sobre qual fruto se tratava; unicamente lê-se: “mas do fruto da Árvore que está no meio do jardim disse Deus: ‘Não comereis dele’… ” O mito provavelmente surgiu com os pintores renascentistas.
- “Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé.” Esse provérbio não pertence a nenhum texto sagrado islâmico. Faz parte de uma parábola inventada pelo filósofo britânico Francis Bacon.
- Os reis magos não eram três. O Evangelho segundo São Mateus só menciona a visita de alguns magos do Oriente, mas não especifica seu número e nem sequer diz que eram reis.
Box
Na peça “Por que os Homens Mentem”, inspirada no livro "As Mentiras que os Homens Contam", de Luís Fernando Veríssimo, a Cia de Comédia Nósmesmos apresenta várias histórias de como a mentira ronda os relacionamentos. Sucesso de público por onde passa, a comédia mostra cinco atores que se revezam entre personagens masculinos e femininos, o que já garante boas risadas.
A seguir, o ator Juliano Mazurchi, que faz parte do elenco, responde a algumas perguntas feitas pela Profashional.
Profashional: Os homens mentem mesmo ou são as mulheres que ouvem errado?
Juliano Mazurchi: Veja bem... As mulheres gostam de complicar as coisas. Às vezes, queremos falar a verdade, mas elas pedem que contemos uma mentirinha...
P.: Quais são as mentiras mais comuns que os homens costumam contar?
J. M.: “Fiquei até tarde no trabalho!” (quer dizer: Fui tomar uma cervejinha com os amigos); “Não meu amor, você não está gorda!” (quer dizer: Está na hora de começar uma dieta); “Hummm, este pavê de jiló está uma delícia” (quer dizer: Que saudade da comida da mamãe).
P.: Mulheres também mentem?
J. M.: Claro! E a pior mentira delas é na cama. Fingem que estão tendo um orgasmo. O homem não consegue fazer nem que queira.
P.: A mentira faz parte do ser humano?
J. M.: Certamente. Desde o começo da humanidade. O homem começa a mentir logo que aprende a falar. E qual é a primeira pessoa pra quem ele mente? A mãe. Que por coincidência é uma mulher. (risos)
P.: Como seria um mundo sem mentiras?
J. M.: Seria um lugar com pessoas de “olhos roxos”. Já imaginou você dizendo a verdade pra tudo, o tempo todo? Ninguém aguentaria. A sinceridade demais causa constrangimento.
P.: A verdade absoluta também pode ser prejudicial?
J. M.: O único prejudicado com a verdade é a própria mentira.
P.: Qual foi a maior mentira que vocês já contaram?
J. M.: Mentira? A gente não mente.
P.: Como surgiu a ideia de fazer a peça?
J. M.: Em 2004, meu irmão me mostrou um livro que estava lendo (“As Mentiras que os Homens Contam”), eu comecei a ler e fiquei admirado com a facilidade e perspicácia com que o Luís Fernando Veríssimo contava uma estória. Trabalhei com meus alunos de teatro e surtiu efeito. Chamei nossos amigos de grupo (Christian Hilário, Alessandre Pi, Charles Ferreira e Ricardo Vandré) pra fazer as leituras das crônicas. Todos adoraram! Resolvemos montar a peça. Convidamos o Heyttor Barsalini pra dirigir. E estamos até hoje em cartaz.
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