| Pano pra Manga - por Sandra Teschner |
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St. Anton ou onde o frio é mais azul
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Enquanto o calor nos abraças literalmente no Brasil, um grupo de 11 pessoas, misto de adultos, jovens e crianças, aproveitou a sensação “picolé” oferecida pela Europa. A turma, sempre profashional, era grande. Kity Barretto e Gabriel Sales com os filhos, Dio Jaguarível e Mika Siebmann com o filho Daniel, Kai, Mika, Sebastian e eu. Alguns de nós, amantes da estação mais fria do ano e em especial no continente europeu, escolhemos St. Anton, na Áustria, para nos dar um verdadeiro choque de temperatura, já que a mesma girava em torno de menos 16 graus. Paraíso de neve, com uma paisagem de contos de fadas de inverno, esse vilarejo romântico seduz pela mistura de flair internacional e aconchego caseiro. St. Anton oferece tudo do que se precisa para quem gosta de muita neve e seus esportes e festas – como os famosos Après–Skis ( baladas pós esqui), que dão ao turista um ar de Oktoberfest nevado. Há uma grande diversidade de hotéis, pensões, restaurantes e cafés, onde se pode saborear comidas típicas deliciosas, acompanhadas de um delicioso e único apfelstrudel com calda de baunilha, ou da sobremesa que frequentemente faz às vezes de prato principal, o “Kaiserschmarn”, que é uma espécie de bolinhos “ligeiros” de ovos pulverizados com açúcar bem fininho, cobertos de compotas de maçã e, resumindo, que valem cada colherinha das incontáveis calorias contidas nestas iguarias.
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Dominada pelos 2.811 m de altura do Valluga, St. Anton, no extremo ocidental da região do Tirol, é um dos mais bem quistos recantos de esqui da Áustria, e uma excelente dica para aqueles queacham que férias frias e “bacanosas” são exclusividade] da Suíça. Apelidada pelos ingleses de “Stanton”, faz parte do Vorarlberg, uma região com 260 km de pistas garantidamente nevadas e com inúmeras rotas alternativas para os esquiadores e snowboarders de níveis mais avançados. As montanha íngremes e muito exigentes fazem acelerar o coração dos amantes de desportos de inverno e de seus apreciadores mais tímidos. Não perca uma visita ao Mooserwirt, o bar com o “Après- Ski” mais famoso do mundo, parada obrigatória nas últimas descidas ao fim da tarde. Outros, como O Piccadilly, também andam muito em voga. Além desses, a oferta de party-locations é enorme! Já à tarde, os “beats” dos vários bares começam a invadir o ar da cidade. Depois, nada como um passeio pela rua principal, que revela o charme de uma vila sofisticada que mantém intacto o caráter e a tradição do Tirol.Como imagens dizem mais que mil palavras, vou economizá- las e deixar você, leitor profashional,com um sentido refrescante que tem tudo para fazer bem, num ano que começou literalmente quente (de incertezas, de novas oportunidades, de novos ângulos para se compreender o mundo, suas finanças e economia).
St. Anton é um lugar onde a paisagem traduz o encanto. Mas e se o esporte de frio não for assim seu forte? Então, você leva o título de “pedestre”, assim como eu, por exemplo, uma não esquiadora assumida. Vou explicar. Adoro regiões de esqui, adoro compactuar e até vivenciar os momentos da turma esquiando e tenho em casa dois fortes concorrentes das chamadas pistas pretas, ou seja, aquelas com marcações para os esquiadores megatreinados; mas o esporte em si definitivamente não é minha praia (?!). Vale então avisar aqui que os pedestres também podem subir as montanhas nos lifts (teleféricos), bondinhos, e têm até atenção especial já que o timing de movimento destes meios de transporte gira em torno de um alguém, que tem uma “prancha” nos pés. Sim, em algumas estações, os controladores acionam o sistema para ir mais devagar nas chegadas aos topos, ou até param o “trânsito” para que possamos sair caminhando pela neve tranquilamente. Não raro, há entre as paradas e os pubs uma esteira rolante, sim, algo semelhante àquelas passarelas em aeroportos, para facilitar a caminhada sem esqui e também para nos manter longe das pistas, onde os esquiadores descem em velocidades rasante. É comum marcar encontro com os amigos esquiadores durante o dia, nas mais diversas estações, e tomar uma sopa quentinha, um Jager-Tee (chá quente com alto teor alcoólico) e desfrutar da atmosfera reservada originalmente aos verdadeiros amantes do esporte, assim os amantes alternativos também têm seu momento enamorado.
Ao final do dia, passeia-se pelas ruas, lojas, cafés sempre movimentados, curte-se uma sauna. Aqui, preciso fazer uma relevante observação: lembro a você que na Alemanha e na Áustria invariavelmente as saunas são mistas, o nudismo é quase uma exigência técnica para se partilhar dos espaços, tendo em muitos lugares placas proibitivas como: SÓ ENTRAR SEM ROUPAS, e que nada disso, repito, NADA DISSO tem absolutamente nada a ver com sexualidade, muito menos ainda com sensualidade. Cada povo com seus costumes e sua peculiaridade.
Sou amante absoluta do inverno, costumo dizer que não há frio, há roupa errada. Como vivi prazerosamente durante mais de uma década na Alemanha e desfrutei das estações do ano que se definiam em caráter absoluto, sou amante dos opostos. Nesta viagem em especial, mesclamos a convivência de pessoas que estão em casa, com outras que se sentem em casa e mais algumas que não veem nada de sua casa em todo o cenário. Mas o grande “barato” do ecletismo é tirar proveito dele e não deixar de flanar com a bandeira da alegria, da troca, do compartilhar, do bom humor. A vida é um lugar para se viver, mas temos de construir nosso espaço dentro dela, como se fossemos todos Gaudis em busca da perfeição sempre aparentemente desconstruída. Um patchwork de materiais, de sentimentos, de razões, alicerça nosso espaço e os contrastes são sempre bem-vindos. E viva as diferenças!
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