revista profashional

Moda - por Fernanda Cordeiro

Protagonista da sedução

A lingerie há tempos abandonou o estigma de roupa de baixo. Esse pequeno artifício do guarda-roupa feminino sofreu inúmeras mudanças em sua estrutura até chegar à modelagem (e ao glamour) que conhecemos hoje


 

Na Idade Média, os antepassados do corselete como a Cota, a Bliaud, o Soquerie já faziam diferença na composição dos looks das jovens senhoritas da época. Mas somente no final da Idade Média, em torno do século XV, precisamente em Borgonha, é que a nobreza passou a utilizar um cinto largo sob o busto na tentativa de sustentar os seios e deixá-los mais voluptuosos. Durante a época do Renascimento, a roupa íntima, que era bastante rígida, surgiu com o nome de Corps Piqué e podemos descrevê-la como um corpete pespontado que apertava o ventre, afinava a cintura e deixava os seios arrebitados, tornando a silhueta feminina assemelhada a um cone.
O material utilizado para a confecção variava entre o marfim e a madeira de buxo, chegando a pesar em média 1 kg. Dá para imaginar que realmente não era uma das coisas mais confortáveis para se sustentar durante o dia, mesmo em nome de um status tão cobrado à época. Somente no século XVIII, as hastes de madeira e metal foram substituídas por bar batanas de baleia e, com isso,
os decotes se tornaram mais flexíveis e trabalhados, com tecidos e bordados, deixando enfim as mulheres respirarem tranqüilamente. Histórias à parte, em meados da década de 1950, os fabricantes de roupas íntimas começaram a se interessar pela “flexibilidade” e conforto de suas consumidoras. Nascia ali a Lycra®, que foi apresentada ao mercado e obteve grande repercussão e aceitação junto ao público jovem.

Atualmente, além de toda a tecnologia empregada em tecidos e tramas diferenciados, nota-se uma preocupação em não se condicionar as peças íntimas apenas como coadjuvantes no figurino da mulher.
Para esta primavera/verão 2009, cores adocicadas e suaves invadem a cena, e trazem consigo bordados, cetins, pedrarias e guipirs, misturando sensualidade, sofisticação e romantismo, a mulher-Lolita reaparece nas coleções. As marcas de lingerie mergulharam de cabeça nessa vertente e apresentaram coleções repletas de tecidos delicados, românticos e tecnológicos. Pensando nesse resgate de décadas, e por que não dizer de séculos atrás, rendas e babados roubam novamente as atenções. Definitivamente, a “feminilidade” afirma que é a palavra de ordem para a temporada. Seja mostrada sutilmente como detalhe do look, ou como top jogando todos os olhares para a produção. Assim, as peças de baixo, que nunca foram tão inocentes, provam que atravessaram o tempo e ainda têm muito a oferecer em conforto, estilo e sedução para as mulheres contemporâneas.













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