revista profashional

Comportamento - por Mirella Stivani

"Bonitona e encalhada. Eu?!?"

Em tempo de amor livre, fica mais difícil encontrar alguém que fique sempre ao nosso lado.


 

Com certeza, esse é um título que ninguém quer ostentar, mas a advogada Laura Henriques não teve medo de se expor e transformou suas desventuras amorosas em livro. O resultado está em “A Bonitona Encalhada”, lançado pela Editora Leitura. Tudo começou com um blog (http://abonitonaencalhada. blogspot.com). Ali, Laura escrevia suas ideias e relatava casos de sua vida como uma típica encalhada. O processo de transcrição trouxe autoconhecimento. Em meio a muito choro e frustração, transformou sua angústia em vários posts. Juntando tudo, surgiu a ideia de publicar seus escritos, o que na realidade já era um sonho bem antigo. Além de casar, outro desejo de um passado bem remoto. “No livro, explico o que é o encalhamento, o meu sonho de ser escritora e de me casar, as desilusões com alguns tipos de homens, as questões femininas sempre na minha cabeça. Não é nada científico nem definitivo, é uma coletânea de casos que aconteceram comigo e tentei digerir escrevendo e refletindo”, conta Laura. Em tempo: apesar de se considerar uma encalhada ela tem namorado. E depois do lançamento do livro, já foi até pedida em casamento!

É impossível ser feliz sozinha (o)?

Uma recente pesquisa do IBGE constatou que 10% dos 56 milhões de domicílios brasileiros são habitados por uma única pessoa. Ou seja, se estão sozinhas é porque não são casadas. E dessas, quantas será que namoram e estão livres do encalhamento? Para alguns, namorar é algo tão comum como pegar resfriado em tempo de inverno. Começa um relacionamento, briga, termina e duas semanas depois já está amando de novo (outra pessoa, claro). Mas, afinal, pouco amor é amor? Já para outros, a situação complica. Encontrar alguém que valha a pena (ou ser aceito/ amado por alguém) é mais difícil do que passar em primeiro lugar no vestibular de Medicina ou ganhar na Mega Sena e não precisar dividir o prêmio (acumulado) com ninguém. Aí, só restam duas opções: ou fi car se lamentando pelo encalhamento ou, então, aceitar a condição de solteiro (a) e procurar alegria em outras situações (e não em alguém). Claro, isso não é fácil, mas possível.

Admito: sou uma encalhada

Quando eu era bem pequena, em vez de brincar de Barbie (porque não tinha), costuma entrar em devaneios, que não são muito comuns em crianças, e pensava no meu futuro. Entre as minhas dúvidas, tentava entender como, quando crescesse, poderia encontrar alguém que gostasse de mim e eu gostasse dele, exatamente ao mesmo tempo? Claro, tive meus relacionamentos. E, claro, não deram certo. Acho que não nasci para amar e ser amada (ao mesmo tempo). Minha vida poderia ser defi nida como o poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade: “João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim...”. Minha condição de encalhamento é tão grave, que em comparação ao livro, já sou conhecida como “A Bonitona Encalhada” pelos meus amigos e colegas. Não acho que eu seja bonita como dizem, mas quanto à segunda parte do título, nem preciso comentar... Às vezes, sinto que ando com um carimbo na testa, onde se lê “negada”. Os possíveis candidatos olham, veem o aviso e já saem correndo. Nem dá tempo de falar “olá”... Amor, amor de verdade, não se procura porque na verdade é um achado. Por isso, hoje em dia, já não me incomodo tanto com a condição de encalhada (embora preferisse que o carimbo “negada” fosse apagado da minha testa). Às vezes, simplesmente acontece, como tantas outras coisas na vida. Sim, de vez em quando, sinto falta de ter uma companhia. Mas é possível ser feliz sozinha.

 













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