| Comportamento - por Mirella Stivani |
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"Hora do espanto"
Ter medo é normal e saudável. Mas, quando foge do controle e torna-se exagerado e irracional, passa a ser uma doença, a fobia.
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Todo mundo sente medo em algum momento na vida (na verdade, em vários). Afinal, ao longo de nossa existência, enfrentamos diversas situações que desafiam nossa coragem. Mas existe uma grande diferença entre temer algo ou sentir verdadeiro pânico, a ponto de incapacitar pensamentos ou ações. Nesse caso, trata-se de uma doença, a fobia, que é um medo maior que o próprio medo: irracional, persistente, exagerado. E angustiante. Segundo o professor doutor Luiz Gonzaga Leite, chefe do departamento de Psicologia do Hospital Santa Paula, de São Paulo, o medo constitui uma etapa normal do desenvolvimento humano e é inclusive considerado um elemento que protege a vida. “É uma reação emocional a um perigo real externo”, afirma. “O medo saudável é aquele proporcional ao tamanho da ameaça. Ele leva a um estado de alerta e hiperatividade que nos prepara para lutar ou fugir da situação em busca de segurança”, completa Sâmia Simurro, mestre em Psicologia e vice] presidente de Projetos da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV). Portanto, se você sente um frio na barriga quando passa por uma rua escura e vazia ou escuta um barulho estranho em casa, não se preocupe: isso é absolutamente normal. Já a fobia é um medo persistente, amplificado para a situação e desproporcional à causa. “É uma reação desorganizada, com sintomas físicos muito intensos.
Pode surgir em qualquer época de nossas vidas, sendo mais frequente a partir da adolescência e idade adulta”, explica o dr. Luiz Vicente Figueira de Mello, psiquiatra supervisor do AMBAN, Ambulatório de Ansiedade IPq HCFMUSP. Medos comuns
Não existe uma explicação única para o surgimento de uma fobia, ou seja, ela pode ser multifatorial. Sabe-se que experiências traumáticas, identificadas ou não, costumam desencadear os medos exacerbados. Por exemplo, alguém que tenha ficado preso em um elevador, pode desenvolver claustrofobia.
Mas isso não é uma regra geral, já que nem sempre há uma causa específica.] No mundo todo, calculase que 10% das pessoas sofrem com algum tipo de fobia.
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Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 17,8% dos brasileiros devem manifestar, algum dia, a doença. “Uma das vezes, os fóbicos são inteligentes, responsáveis, sensíveis, com certa tendência a ser detalhistas e controladores”, define o dr. Luiz Gonzaga. “As fobias mais comuns são aquelas que envolvem animais (cachorro, barata, cobra etc.). Existem ainda as fobias de espaços fechados (claustrofobia), as de altura (acrofobia), as de presenciar sangue ou ferimentos, de viagens aéreas, as síndromes de pânico e as fobias sociais.
Nem sempre as pessoas buscam tratamento. Em geral, isso só ocorre quando o medo se torna bastante limitante para a vida pessoal”, conta Sâmia.
Tratamento
Quem sofre de alguma fobia apresenta diferentes sintomas, como sentimentos excessivos, irracionais epersistentes de medo ou ansiedade que são ativados por um objeto, uma atividade ou uma situação em particular; além de físicos, como tremores, palpitações, sudorese, falta de ar, vertigem e náuseas. Com isso, o indivíduo acaba tendo limitações profissionais e sociais, já que começa a adotar uma conduta no sentido de evitar o confronto com o agente causador da fobia, organizando toda sua vida
em função do medo.
A boa notícia é que existe tratamento para a doença. Em alguns casos, é necessário fazer uso de medicamentos antidepressivos ou ansiolíticos para baixar os níveis de ansiedade. “O mais indicado para as fobias é a Psicoterapia Cognitiva Comportamental, que consiste em colocar a pessoa acometida diante do causador da fobia, de forma gradual e persistente. Por exemplo, no caso de pânico de altura, expor o paciente, gradualmente, a locais altos, do menor para o maior. Quando bem tratada, podemos extinguir a fobia, em alguns casos, definitivamente”, finaliza o dr. Luiz Vicente. |
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