revista profashional

O mundo de
Sophie (Charlotte)
- por Marisa Abel
De Nietzsche ao mundo fashion, do balé ao canto,
a jovem Sophie Charlotte, a Angelina de “Malhação”,
conversa com a Profashional e conta sobre sua vida
e as emoções de ver um sonho realizado
 
Uma alemã bem brasileira, assim podemos descrever a jovem que aos 19 anos de idade diz-se satisfeita com a vida e com as glórias que tem alcançado.

Ela nasceu em Hamburgo, Alemanha, mas com oito anos de idade veio para o Brasil, onde conquistou o grande sonho de ser atriz. Após finalizar como a
protagonista de “Malhação”, Sophie irá atuar, em “Caras e Bocas”, a próxima novela das 7 da emissora. Seu personagem, Vanessa, fará parte do núcleo cômico da novela.

Esse contato com o mundo artístico vem desde os tempos de menina, quando morava em terras germânicas, Sophie sonhava ser atriz, acreditou no sonho, lutou por vários anos até conseguir o primeiro papel importante de sua carreira, uma protagonista na novela “teen” da Rede Globo. Feliz e realizada, ela quer mais.

Mas não é só na TV que a moça mostra seu talento, além de atuar, ela sabe dançar, cantar e ainda tocar piano, uma artista polivalente. Podemos dizer também que ela já fez uma “pontinha” no mundo da moda, uma sessão de fotos para Carlos Miele, além de alguns trabalhos quando era criança, mas ela ressalta que nunca foi modelo profissional.

Adepta da calça jeans, mas atualmente com uma pequena queda pelos vestidinhos, Sophie diz ter um estilo bem básico, embora adore acompanhar as tendências do mundo fashion. A atriz diz não ter um estilista em especial. “Tenho preferência pela peça. Se eu olhar, gostar e me cair bem, eu levo, independente da marca”.

 

 

Para 2009, ela tem vários planos, mas o primeiro da lista é voltar a cursar Artes Cênicas. “Sinto muita falta da faculdade e, se a agenda permitir, quero regressar logo no início do ano, também estréio com a peça ‘Apocalipse’ e vou atuar na nova novela das 7. Quero fazer academia, cantar, dançar, enfim tudo que eu puder. Vou fazer 20 anos e quero aproveitar o máximo o que a vida puder me proporcionar. Dou graças a Deus por ter essa vida maravilhosa e espero que continue assim.”

Essa demonstração de vontade de viver tudo intensamente dá para perceber na voz de Sophie, que fala da vida com paixão e esbanja energia.

Confira um pouco mais sobre a jovem atriz.

Profashional: Você nasceu no país de Nietzsche e outros grandes filósofos. Existe alguma obra ou texto que te fez enxergar a vida de outra forma? Como é o seu contato com a filosofia?

Sophie Charlotte: Meu primeiro contato mais profundo com a obra de Nietzsche foi na faculdade quando fizemos um trabalho sobre “Édipo Rei”, de Sófocles, e tivemos de ler também “Zaratustra”, de Nietzsche. Leio muitas citações do filósofo alemão, mas nada mais aprofundado. Tenho afinidade com a filosofia, pois ela vem para explicar o mundo e Nietzsche tentou fazer isso, escrevendo sobre o autoconhecimento e conhecimento do mundo. Isso tudo é muito bom. Ao contrário dele, eu ainda não encontrei a minha maneira de ver o mundo, mas estou procurando.

P.: A arte sempre esteve presente em sua vida, essa, que é uma referência de família, teve mais impacto em qual momento da sua vida e por causa de que ou quem?

S.C.: Posso dizer que tenho na vida dois divisores de águas. Um deles ocorreu na infância, já que meus pais me introduziram no mundo das artes, me apresentando os grandes artistas e obras. Como sempre me mostrei muito interessada, eles me proporcionaram assistir aos filmes considerados clássicos. Todos que conheço foi por meio deles. O segundo momento ocorreu recentemente, por intermédio de Domingos de Oliveira, conheci várias obras nacionais, muitas dele, inclusive
“Cabaré Filosófico”.

P.: Jazz, sapateado e balé, você já praticou as três modalidades, qual delas tem mais o estilo de Sophie?

S.C.: Balé clássico com certeza. Foi o que me puxou para a dança, embora eu me divirta muito com os outros dois, o balé me emociona. São 13 anos dançando na ponta dos pés.

P.: Com aptidões para o canto e dança, você já pensou ou recebeu algum convite para fazer um musical, tão em alta hoje em dia entre os adolescentes?

S.C.: Nada concreto ainda, surgiu uma oportunidade, mas, por conta da agenda lotada com as gravações de “Malhação”, o projeto ainda está em aberto. Porém, na “Malhação”, eu tive uma grande surpresa, mesmo não sendo o foco, exploramos bem o canto.

P.: A maior parte das adolescentes e jovens sonha em estrelar na “Malhação”, que há mais de uma década está no ar, sonho que também um dia (aliás, por seis anos tentando) foi seu. Como é vê-lo realizado?

S.C.: Lutei muito para conseguir, fiz vários testes, não só para “Malhação”, mas para outras novelas também e, quando consegui, foi uma realização. conquistar aquilo que se deseja te dá ânimo e uma força incrível. Agora que acabaram as gravações, dá para analisar e ver o sonho concretizado. Quando eu passei, fiquei muito feliz, mas vi também que a responsabilidade seria bem grande. Uma mistura de emoções. Eu vim para ficar.

P.: O que mudou na sua vida depois de virar protagonista da novela teen?

S.C.: Pude exercer a profissão que escolhi, vivi e estou vivendo este grande momento da minha vida. Agora posso dizer que sou atuante e não mais aspirante. No começo, assistia a todas as cenas para ver o que estava bom e o que tinha exagerado, para melhorar cada vez mais. É tudo muito intenso.

P.: Você viveu muito a diversidade na ficção. Na vida real, qual a sua opinião sobre as diferenças de classes, raças e formação?

S.C.: Tive uma formação muito boa, eu nunca passei por momentos que destacassem a diferenças de classes, mas claro que sempre vemos e presenciamos algo do tipo. Fui educada a não ter preconceitos, porém sempre descobrimos algo lá no fundo que não deveríamos sentir. O importante é você identificar quais são e eliminá-los. Quando você descobre o problema e o elimina, você é capaz de melhorar o relacionamento com o mundo. Mesmo sendo um país tão cheio de contrastes,
miscigenação e diferenças culturais, temos no Brasil um acentuado preconceito social, acho que estamos caminhando para mudar e, para isto, educação é essencial.

P.: Seu coração é brasileiro ou alemão?

S.C.: Pergunta engraçada (risos). Sinto muita falta da Alemanha, não sei, acho que é uma mistura, existe lugar para o Brasil, Alemanha e quem vier.

P.: Falando um pouco sobre moda, você costuma acompanhar as tendências para manter seu look sempre atual?

S.C.: Adoro o Fashion Rio e sempre que posso, eu vou, nesse e em outros eventos de moda. O mundo fashion me interessa, mas não giro em torno dele. Gosto muito de saber o que está rolando, afinal de contas, não dá para viver no seu próprio casulo. Acompanho, mas não sigo tudo, pois avalio o que fica melhor.

Curtas e rápidas:
 
A moda para você é... Maneira de se expressar.
Guloseima preferida: Cereja.
Uma cidade inesquecível... Paris.
O melhor do Brasil é: Música.
O melhor da Alemanha é... A comida e a neve.
Para interpretar tem de ter: Concentração.
A obra mais bacana: Sei que vou mudar de opinião daqui a meia hora (risos), mas neste momento é o livro “Cartas para um jovem poeta”, de Rainer Maria Rilke.
Livro de cabeceira: Ganhei de meu irmão o livro “Marley e eu”.
Ser profashional é... Fazer tudo com amor.
 













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