
Textos, fotos, vídeos, mensagens, tudo isso é trocado virtualmente a cada segundo. O mundo inteiro, há alguns anos, está conectado nessa onda que diminui distâncias e troca experiência com muito mais velocidade. E a cada dia esse volume de internautas aumenta.
Fila de banco? Isso é coisa da década passada, embora alguns ainda resistam às tendências modernas e continuem a freqüentá-las. Compras online? Estas crescem a cada dia. Mas o que realmente chama a atenção dessa era são os encontros virtuais. Scraps, e-mails, posts, enfim, tudo o que faça você trocar experiências
com amigos e pessoas desconhecidas. Os blogs são a sensação da moçada, principalmente dos adolescentes, e uma representante brasileira desta era é MariMoon.
Ela nasceu Mariana de Souza Alves de Lima, mas, em 2003, virou celebridade na Internet como MariMoon. Com um estilo mais ousado e próprio, a menina
de cabelos cor-de-rosa recebia (e ainda recebe) um espantoso número de acessos ao seu blog e fotolog, cerca de 350 mil por mês, o que chamou a atenção
da mídia e de empresas.
Em 2006, começaram a chover convites para entrevistas, campanhas publicitárias e parcerias, uma delas um contrato de janeiro a julho de 2007 com a marca de
calçados Melissa, como “embaixadora da marca” e modelo.
Sucesso entre os adolescentes, a blogueira mais famosa do Brasil se tornou referência de Internet e, no início de 2008, a MTV a chamou para ser VJ do inédito programa chamado Scrap MTV, direcionado, claro, ao público teenager, com temas que abordam moda, comportamento, música e Internet.
MariMoon também criou uma marca com seu nome; as peças, que vão de roupas, calçados a acessórios, são vendidas em sua loja virtual e no Mercado Mundo Mix, o maior evento de moda alternativa da América Latina.
A jovem diz que segue as tendências de moda que lhe interessam para compor seu visual, usa o que a agrada e o que tem a ver com seu estilo. Curte moda brasileira e freqüenta os desfiles sempre que sobra um tempinho na sua agenda, já que a maioria deles acontece nos horários em que está trabalhando.

Confira o bate-papo que ela teve com nossa redação:
Profashional:
Aos 26 anos, você sabe muito bem como usar o marketing pessoal e fazer com que ele vire um negócio lucrativo. Imaginava isso quando iniciou no mundo on-line?
MM.:
Não imaginava MESMO. Desde pequena eu gosto de tecnologia e me lembro perfeitamente de quando instalei Internet no meu quarto. Minha relação com ela nasceu com o único objetivo de me divertir. Foi depois que eu vi que poderia utilizá-la para divulgar meu nome e viver dela.
P.:
Para ter estilo, é necessário também saber suportar as opiniões controversas, mesmo que elas não interfiram diretamente em nossas vidas, e muitas vezes elas não fazem diferença para nós, opiniões existem. Qual foi a crítica mais pesada que recebeu e como saiu dela?
MM.:
Com certeza! Acho que não existe nenhuma crítica específica que tenha me marcado. Muita gente olha para mim e não entende, aí acaba falando bobagens como: que me visto de maneira diferente porque sou infantil, que eu sou carente e só tenho esse visual pra chamar atenção e, mesmo em relação à Internet..., que sou alguém que fica o dia todo de bobeira na net e não trabalho. Eu realmente não me importo porque sei muito bem quem eu sou, quais são meus defeitos e quais são as minhas qualidades. Eu aceito críticas de amigos, alguns colegas de trabalho, parentes, namorado, afinal, eles sim sabem muito bem quem eu sou.
P.:
Você virou ídolo de muitos adolescentes. Era exatamente essa a intenção? Atingir esse público? Você se identifica com ele?
MM.:
Não era a intenção, mas acho que faz muito sentido. Primeiro porque eu sou irmã mais velha de quatro adolescentes, todas meninas. Eu sou “pósgraduada” em ser irmãzona, então acho que isso reflete muito no meu jeito de ser. Outra coisa é que a adolescência é uma fase da vida que me interessa muito, que eu considero bem divertida e, pra mim, foi uma época muito importante.
P.:
Blogueira de plantão tem de ter a vida on-line. Quanto tempo você fica na frente do computador alimentando o blog?
MM.:
Putz, bem mais do que eu gostaria. Mas vamos combinar que é inevitável? Diariamente, eu confiro e respondo meus e-mails (o que ocorre pelo menos três vezes ao dia); pesquiso meu convidado do Scrap MTV; pesquiso assuntos e dicas de Internet também para o Scrap; publico minhas coisas em fotolog/blog/afins; troco
uma idéia rápida com amigos por mensagens instantâneas; e, às vezes, até faço pagamentos on-line. Sem contar com alguns momentos de relaxamento em que eu jogo ou dou um “rolê” em outros sites e blogs.
P.:
O nome MariMoon surgiu de onde?
MM.:
MariMoon veio do anime Sailor Moon, que é uma garota engraçada, meio desengonçada, esfomeada, romântica, boa amiga e chorona. Criei esse nick quando tinha entrado na faculdade e, pela milionésima vez, não era a única Mariana da sala. Somado a isso, na Internet, você não pode nunca ser apenas Mariana, então escolhi MariMoon, como pesquisei e não achei ninguém com esse nome, decidi usá-lo.
P.:
Onde podemos encontrar MariMoon quando não está gravando para o Scrap MTV ou conectada à Internet?
MM.:
Andando na av. Paulista, passeando no Ibirapuera aos domingos, lanchando no Center 3, vendo um filme no Belas Artes, pegando metrô na linha verde, de noite nas baladas da Augusta, especialmente em shows de rock... Mas meu lugar favorito é na casa da minha mãe, que fugiu de São Paulo e agora mora no interior.
P.:
Defina moda sob o ponto de vista de MariMoon.
MM.:
Moda é uma maneira de expressar quem somos ou queremos ser de maneira visual, utilizando nosso próprio corpo como base. Um advogado que quer ser levado a sério usa um terno bem alinhado, enquanto um artista costuma se vestir de maneira criativa. Nascemos sem identidade e, ao longo dos anos, desenvolvemos nossa personalidade. Nossa identidade (seja ela real ou fake) está refletida ali no nosso visual. Além do que, a primeira impressão que temos de alguém (até que ela abra a boca para falar) é visual.
P.:
Daqui a alguns anos, você acredita que ainda estará com esse mesmo estilo ou, com o passar dos anos, as pessoas ficam mais “caretas”?
MM.:
Não sei dizer com certeza, mas eu acho que sim. A minha geração vai ser de velhinhos tatuados e com vários furos na cara, o que não é uma realidade para a terceira idade de hoje em dia.
P.:
Você ficou conhecida por meio de suas imagens em que retratava o seu cotidiano e o seu universo particular. É possível estabelecer até onde ir?
MM.:
Acho que eu sempre tive um feeling me dizendo até onde ir. Quando eu era mais nova, eu era bem mais desencanada e achava legal a idéia de Big Brother, inclusive vi muita gente fazer igual em casa. Achava isso muito divertido, mas hoje já tenho outra opinião, acho invasivo demais.
P.:
Quem é a MariMoon, por trás da MariMoon?
MM.:
Muita gente acha que MariMoon é personagem, mas, na realidade, é um apelido.
P.:
Quais são suas inspirações para as criações de suas roupas e do design do seu site?
MM.:
Figurinos de filmes, em especial filmes dirigidos por Tim Burton, desenhos animados japoneses, moda de rua de todo lugar do mundo (punks, góticos,
cybers, mods, indies, tudo) e também decoração e design. Mas estou dando uma pausa na minha vida de estilista porque tenho cada vez menos tempo disponível. Estou dando mais espaço agora para novos estilistas na minha loja virtual.
P.:
Quais são seus desejos mais controversos?
MM.:
Acho que meus sentimentos mais controversos são em relação à minha cidade, São Paulo. É amor e ódio. Querer fugir e sempre voltar. Xingar e elogiar.
P.:
Um nome da moda é...
MM.:
Nome de estilista? Um só não dá. Gosto muito do Galliano, da dupla Viktor e Rolf, da Anna Sui e, entre os brasileiros, do Marcelo Sommer, da Gloria Coelho, do Reinaldo Lourenço, do Alexandre Herchcovitch... a lista é bem grande.
P.:
Ser profashional é...
MM.:
Ter coragem de ser você mesmo.

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