Poeta da alma - por Marisa Abel
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Músico, escritor, contador de histórias envolventes, Fábio de Melo une as palavras em
mensagens que tocam o coração, o padre é um verdadeiro poeta da alma.
“Amar talvez seja isso, descobrir o que o outro fala
mesmo quando ele não diz”, pe. Fábio de Melo
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Você, querido leitor profashional, deve estar se perguntando neste momento o que um padre faz na capa de uma revista de moda, e nós respondemos: Fábio de Melo é um tradutor de sentimentos do mundo. Tem o poder transformador das palavras e mensagens que falam de vida, da beleza de amar e comungar com o universo a maravilha de ser você mesmo e de viver – isso é profashional. A nossa abordagem aqui não é sobre uma religião específica (respeitamos todas as crenças) e sim sobre o valor de cada mensagem.
Antenado às tecnologias e nas formas de comunicação do século XXI, pe. Fábio tem site, posta suas reflexões em seu blog, faz shows por todo o Brasil
e celebra a vida com plenitude, mas, sobretudo isso, ele faz da música e das palavras o seu instrumento disseminador de idéias, não exclusivamente para
os católicos, mas para todos aqueles que apreciam a frase dita de forma direta e que faz seu cérebro (e coração) parar para refletir.
Cada frase é uma união de palavras que nos faz ver na simplicidade a beleza do eterno e descobrir o que é essencial e nossa própria essência. “Eu vejo estradas construídas na minh’alma, por onde passa o mundo inteiro bem ali” (música: “Enredos do meu povo simples”). Mais sobre essa energia do padre você também pode ler na seção script. |
“Eu sou um contador de histórias... gosto de me aventurar no universo das palavras, gosto de vê-las clamando por minhas mãos, desejosas de saírem da condição do silêncio. Escrever é uma forma de desvendar o mundo”, essa é uma das descrições que o trovador Fábio tem de si, nós concordamos.
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Confira a entrevista exclusiva que pe. Fábio de Melo cedeu para a Profashional:
Profashional: As palavras bem colocadas acompanham os seus pensamentos e nos fazem pensar nos momentos de nossa vida e na importância de cada coisa. Tanta inspiração
vem de experiências vividas ou acompanhadas?
Fábio de Melo: O cotidiano é minha fonte. A vida humana é minha matéria. Ou porque vivi, ou porque vi de perto.
P.: Você já declarou que com a música é preciso fazer com que a imagem aconteça dentro de você. Quando está cantando, você sente toda essa vibração. O que acontece no seu íntimo?
F. M.: Nem sei. É tudo tão intenso que nem dá para dizer. O que sei é que há um envolvimento pleno. Música é também imagem. Há cenas nas frases.
P.: A música é pano de fundo da sua vida. Existe alguma em especial que toca mais seu coração?
F. M.:
A música popular brasileira me toca muito. Há trechos que se tornaram imortais para a nossa cultura.
P.: Você fez da música um instrumento de trabalho. Hoje, como você enxerga todo esse processo?
F. M.: Eu não me separo da música. O meu ministério sacerdotal se desdobra na arte. Antes de tudo, eu sou padre. O ofício que exerço é um desdobramento do que sou.
P.: Nas suas palavras “religião é religar duas pontas que precisam se encontrar”. Em todos os seus momentos, o que de maior destaque foi religado ao seguir o caminho da religião?
F. M.:
O discurso religioso pode nos ajudar a reintegrar o que perdemos ao longo da vida. A palavra de Jesus é de devolução. Ele me devolve a mim mesmo. Sempre que encontro alguém e escuto: “Você me ajudou a ser eu mesma!”, eu penso – “Valeu ter vivido!”
P.: A decisão em optar pela batina ocorreu em que momento da sua vida?
F. M.: Desde criança. Cresci numa família muito religiosa. A figura do padre sempre disse muito ao meu contexto cultural. Eu via no padre uma pessoa feliz, realizada, fazendo o bem às pessoas. Quis ser também.
P.: Quais são as ações que você julga ser as que mais fazem as pessoas refletirem sobre suas vidas?
F. M.: Geralmente,
é o momento da dor.
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P.: Você é um padre moderno. Tem site, canta, faz show e ainda possui um blog no qual posta seus pensamentos. Como é sua relação com os artefatos da modernidade?
F. M.: Eu me utilizo de tudo o que posso. Os meios estão aí e as pessoas estão necessitadas. Não posso negligenciar a oportunidade de melhorar o mundo. Eu creio no poder da palavra. Palavras mal ditas possuem o poder de nos destruir. Palavras bem ditas exercem poder contrário. Eu prefiro o segundo poder.
P.: Com a agenda lotada de compromissos, sobra tempo para conhecer as cidades por onde você passa?
F. M.: Não. Sempre que viajo a trabalho, eu já saio de casa sabendo que não conhecerei muita coisa. Não crio expectativas.
P. : Defina o poder das palavras.
F. M.: A palavra é uma pá que lavra o chão da nossa alma.
P.: Quando não está usando a batina, costuma praticar quais atividades?
F. M.: Eu não uso batina. Só uso os paramentos litúrgicos para as celebrações. Eu me visto normalmente.
P.: Na sua visão, como está o contato entre as pessoas e a religião nos dias de hoje?
F. M.:
O discurso religioso, quando mal aplicado, é um instrumento de guerra. Tenho medo das religiões que alienam. Elas retiram as pessoas do comprometimento
histórico e as projetam para esperanças futuras. Religião não pode ser feita somente de esperanças futuras. O hoje é o lugar da ação de Deus. A realização
humana consiste em descobrir o equilíbrio entre as pontes do tempo. O céu começa agora. O inferno também. As escolhas que fazemos na vida são determinantes
para o estabelecimento de um ou outro.
P.: Se não fosse padre, o que gostaria de fazer? Seguiria alguma profissão?
F. M.:
Eu queria ser veterinário.
P.:
Qual seu pensamento sobre a moda?
F. M.: Muito mais importante que estar na moda é estar bem cuidado.
P.: Seu estilo de se vestir é...
F. M.: Não sei. Vocês que são especialistas é que precisam me ensinar... Risos. |
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