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Por trás das câmeras - por Adriana Rosa
Traços exóticos, talento e determinação são algumas
das expressões que definem bem Carmo Dalla Vecchia.
Entre um compromisso e outro, o ator nos concedeu uma
entrevista exclusiva e mostrou que personalidade é algo que
tem de sobra. Descubra como é Carmo por trás das câmeras
 

Destaque na novela “A Favorita”, trama das oito da Rede Globo, Carmo encontra-se em seu melhor momento. Interpretando o jornalista Zé Bob, o ator vive os conflitos junto à Flora (Patrícia Pillar) e Donatella (Claudia Raia), que vira-e-mexe disputam sua atenção. Assim como o personagem, determinação e pés no chão sempre estão presentes em seu dia-a-dia.

Nascido em Carazinho, RS, viveu muitos anos em Santa Maria e foi lá que passou a maior parte dos momentos que hoje formam algumas de suas melhores lembranças da infância. Sua carreira teve início como modelo e foi vencedor do “Look of The Years”, em 1990. Quando se mudou para o Rio de Janeiro, matriculou-se no curso de interpretação Casa de Artes de Laranjeiras (CAL) e na Oficina de Atores da TV Globo.

Entre um teste e outro, Carmo conseguiu seu primeiro papel de destaque na minissérie “Engraçadinha” e, a partir daí, o gaúcho começou a se destacar na televisão e também nos palcos.
A versatilidade do ator foi fator decisivo na hora de conquistar papéis desafiadores, mas, como ele mesmo diz, sua melhor fase é “hoje”.

Seu desapego por estética é grande e, por isso, a carreira de modelo não durou muito.
“Minha experiência como modelo foi pequena e é um universo relacionado mais com a forma,
com a aparência. Hoje, procuro desconectar isso tudo quando estou trabalhando”, revela.



Carmo está em ritmo acelerado nas gravações da novela,
mas conseguimos uma entrevista exclusiva.

Confira cada resposta do ator e delicie-se.

Profashional: A paixão pelas artes fez você ingressar no universo da interpretação. Houve a influência de alguém ou alguma obra especial para esta opção?
Carmo Dalla Vecchia: Não. Sempre fui introspectivo e, como morava numa cidade do interior, o desejo de ser ator era meio inviável. Na minha família, meu pai era o único que tocava gaita.

P.: A literatura é sempre presente na vida do ator, você tem preferência por gênero ou algum autor em especial?
C. D. V.: Minha biblioteca tem livros de todos os tipos. Tenho um pouco de fascinação por livros de ficção científica do Isaac “Gosto muito de consumir moda. Mas procuro não esquecer de que vivo numa cidade praiana e relaxada, então os limites do bom senso falam alto.” Carmo Dalla Vecchia Asimov e alguns conterrâneos, como Lya Luft, Caio Fernando Abreu e Érico Veríssimo.

P.: O Zé Bob é um jornalista que possui ácidas palavras para as irregularidades que vê, principalmente em política. Existe alguma semelhança entre vocês?
C. D. V.: Ele é o contrário de mim, eu evito os conflitos. Mas costumo ser solar na vida assim como ele.

P.: Sempre com uma máquina fotográfica nas mãos, seu personagem faz fotos jornalísticas. E na vida pessoal, qual é o seu contato com esta arte?
C. D. V.: Fiz um curso de fotografia digital para conhecer melhor a fotografia. Gostaria muito também de trabalhar com edição de imagem. Quem sabe?

P.: O público sempre exige muito dos atores que têm grandes papéis. Como tem sido o retorno das suas cenas?
C. D. V.: Tenho recebido um carinho muito grande na rua e procuro retribuir esse carinho. Mas fico atento ao fenômeno de estar num trabalho que atinge tantas pessoas. Isso não pode me fazer esquecer de que o principal é o trabalho e não os desdobramentos dele.

P. : Sobre a sua vida em Carazinho, o que mais deixa saudade? Qual o período que morou lá e as principais recordações?
C. D. V.: Morei apenas um ano e meio lá, a maior parte do tempo vivia numa outra cidade
chamada Santa Maria, que é onde meus pais moram. Carazinho me traz lembranças dos meus avós extremamente afetuosos e de minhas viagens de férias para visitá-los.

P.: Durante a sua trajetória profissional, quais foram os pontos mais difíceis e em que gostaria de ter se dedicado mais?
C. D. V.: Não mudaria nada. No começo, as escolhas podem não ser as mais acertadas, mas até mesmo essas são extremamente importantes. Você só adquire experiência errando. Na vida é igual.

P.: O Carmo e o Zé fazem o coração das mulheres bater acelerado. E o seu momento, é de paz, amor, paixão ou todos juntos?
C. D. V.: Meu coração, assim como o do Zé, está sempre lotado.

P.: Envolvido com novela e cinema ao mesmo tempo, quando sobra um só para você, que atividades costuma fazer?
C. D. V.: Não muito, mas é uma fase. O importante é no meio dessa carga de trabalho, procurar se divertir e relaxar. Se tencionar não rola.

P.: Antigamente seu contato com a moda era profissional. E agora, como ela está inserida no seu dia-a-dia?
C. D. V.: Gosto muito de consumir moda. Mas procuro não esquecer de que vivo numa cidade praiana e relaxada, então os limites do bom senso falam alto. Não fico pensando no que vou usar, simplesmente abro o guarda-roupa e num minuto estou pronto. O que eu entendo de moda é o que me dá prazer. Se gosto de uma peça e sei que posso me sentir bem, me divertir com ela e que de preferência ela ou as cores dela me joguem pra cima, eu levo.

P.: Sempre temos aquela peça de estimação que não temos coragem de dar nunca. Qual é a sua?
C. D. V.: Sou muito desapegado. Se um amigo elogia muito alguma coisa que estou usando, acabo dando a peça pra ele. O máximo que eu guardo são aquelas camisetas velhas que usamos para dormir.

P.: O figurino é fator primordial para dar características ao personagem, e o Zé Bob possui um bem casual. No dia-a-dia, você costuma utilizar qual estilo?
C. D. V.: Não tenho isso. Tenho umas camisas em casa que vestiriam muito bem inclusive o personagem do Dodi (Murilo Benício).

P.: O melhor da viagem é o viajante. Como enxerga suas trips?
C. D. V.: Geralmente, viajo três ou quatro vezes por ano quando não estou trabalhando. Quando nos distanciamos, fica mais fácil olhar nosso próprio País, nossa história e ver que pessoas podem ser e pensar diferente. A diferença pode ser o interessante! Procuro aprender com essas diferenças, acho que esse é o grande barato de viajar.

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